quinta-feira, 16 de abril de 2026

Bauhaus Cultural entrevista Gê Filho

 


O ator e diretor Gê Filho me concedeu esta entrevista para falar do seu mais novo projeto chamado O que corre em nós. Ele reforça a parceria com o ator Wagner Kampynas e traz sua aluna Luísa Lopes como protagonista. 

BC: O que te motivou a fazer este curta?

GF: Olá, pessoal do Bauhaus Cultural! A linha de filmes que venho produzindo desde 2021 sempre se afunilou no tema da saúde mental. A motivação do curta “O que corre em nós” veio principalmente da característica do personagem Mauro, que é um estelionatário e, segundo alguns estudiosos da saúde mental, o estelionatário nada mais é do que um psicopata — um nível mais baixo, mas não deixa de ser. Além disso, o relacionamento entre o pai, a filha e o avô, que permeia a história, gera identificação do público. Então, procuro mesclar temas cotidianos com algum tema mais específico dentro da saúde mental.

 


BC: Você acha que este novo trabalho é muito diferente de tudo o que você fez?

GF: Sim. O meu primeiro longa-metragem, chamado Amanhã você vai embora, fez bastante sucesso na época aqui em Campinas, em 2022. Depois dele, produzi duas comédias, chamadas Dez reais e Cem reais, e um quarto filme chamado Fuga de Kairós. Percebi que o primeiro filme foi o mais impactante de todos; minha conclusão foi que a principal diferença entre eles é que a história foi escrita por mim, juntamente com o ator Wagner Kampynas, enquanto os demais eu apenas roteirizei a partir do argumento de outros autores. Achei que era o momento de fazer um novo filme novamente escrito por mim diretamente, sem, claro, tirar o valor dos argumentos dos outros três, mas quero voltar a colocar minha identidade no filme, não só como diretor, mas como autor. Acredito que o público irá resgatar a emoção do primeiro e se surpreender com os rumos da história, como aconteceu no primeiro, porém agora com mais experiência.

 

BC: Como é trocar a Comédia pelo Drama?

GF: Na verdade, não se trata de uma troca; para mim, foi um processo importante. Eu comecei na comédia, fazendo stand-up, vídeos de humor etc. É algo de que ainda gosto muito! Foi a comédia que me ensinou a escrever, a entender a matemática do timing, os pontos de virada. Mas acaba que a arte é que escolhe os nossos caminhos. Nunca imaginei, na minha vida, ter uma carreira no cinema nacional, pela qual me apaixonei desde o primeiro dia. Sou muito grato à comédia e não pretendo abandoná-la. Porém, se hoje eu escrevo e produzo bem drama, devo isso à comédia. Então, vejo como um caminho, e não uma troca.

 

BC: Quais são os diretores e atores que mais te inspiraram em sua carreira?

GF: Diretor, sem dúvida, Quentin Tarantino! Sou apaixonado pelos diálogos ricos, dos quais não conseguimos tirar os olhos da tela! Hoje estudo muito dramaturgia, diálogos e monólogos por causa disso. Em todos os meus filmes, acabo colocando alguma técnica especial nos diálogos. Atores, tenho várias referências: Tony Ramos, Lima Duarte, Fernanda Montenegro etc. Atores e atrizes que eu chamo de camaleões, que podem atuar em qualquer personagem. Acho importante e admiro essa capacidade de atores fazerem personagens de drama e comédia com a mesma facilidade.



Wagner Kampynas


BC: Wagner Kampynas é um grande ator e está presente e todos os seus curtas. Como é trabalhar com ele?

GF: Sim, ele está em todos! Wagner é um desses que chamo de camaleões, um profissional incrível, ao qual sou muito grato, além de ser um grande amigo. Aprendi muito com ele. Além disso, Wagner foi o responsável por eu estar fazendo cinema hoje. Ele é um ótimo ator de comédia; foi onde nos conhecemos, fazendo vídeos de humor. Porém, um dia ele me falou: “Por que você não faz um filme?”. Era algo que eu nunca tinha pensado em fazer, mas ele me encorajou. Escrevemos juntos o longa Amanhã você vai embora, quando me lancei na carreira de cineasta. Ele praticamente me obrigou a dirigir também — algo que eu nunca tinha feito. Esse longa foi uma verdadeira escola para mim, na qual me coloquei à prova como autor, roteirista, produtor e diretor. Depois dele, tudo mudou; não consigo me ver fazendo outra coisa. Hoje, o cinema faz parte de mim. Trabalhar com o Wagner é enriquecedor; ele tem uma visão riquíssima sobre atuação, seja teatral ou de cinema. É muito fácil dirigi-lo, além de ser um ator que consegue criar personagens cativantes.

 

BC: Uma mensagem para os fãs da Bauhaus Cultural.

Aos fãs da Bauhaus Cultural, peço que continuem a valorizar os pequenos produtores e cineastas independentes do nosso país. O Wagner Moura, em uma de suas entrevistas, disse muito bem sobre a importância do cinema e dos pequenos cineastas. Temos um grande potencial cinematográfico no Brasil, mas enfrentamos dificuldades em produzir; os editais e leis de incentivo são muito importantes, mas, muitas vezes, esses investimentos não chegam aos pequenos. É preciso dar chance para que novos cineastas mostrem seu trabalho. E o público é quem dita essa demanda; vocês, fãs da Bauhaus Cultural, fazem parte disso. São vocês que acompanham esse blog que irão ser nosso público, nossos críticos e até patrocinadores. Obrigado por me dar essa oportunidade de mostrar meu trabalho a todos vocês.

 


Um comentário:

  1. Obrigado pela oportunidade ! Venham assistir a estreia em 17 de julho de 2026 na Casa do Lago na Unicamp !

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