BC: O que te
motivou a fazer este curta?
GF: Olá, pessoal
do Bauhaus Cultural! A linha de filmes que venho produzindo desde 2021 sempre
se afunilou no tema da saúde mental. A motivação do curta “O que corre em nós”
veio principalmente da característica do personagem Mauro, que é um
estelionatário e, segundo alguns estudiosos da saúde mental, o estelionatário
nada mais é do que um psicopata — um nível mais baixo, mas não deixa de ser.
Além disso, o relacionamento entre o pai, a filha e o avô, que permeia a
história, gera identificação do público. Então, procuro mesclar temas
cotidianos com algum tema mais específico dentro da saúde mental.
BC: Você
acha que este novo trabalho é muito diferente de tudo o que você fez?
GF: Sim. O meu
primeiro longa-metragem, chamado Amanhã você vai embora, fez bastante sucesso
na época aqui em Campinas, em 2022. Depois dele, produzi duas comédias,
chamadas Dez reais e Cem reais, e um quarto filme chamado Fuga de Kairós.
Percebi que o primeiro filme foi o mais impactante de todos; minha conclusão
foi que a principal diferença entre eles é que a história foi escrita por mim,
juntamente com o ator Wagner Kampynas, enquanto os demais eu apenas roteirizei
a partir do argumento de outros autores. Achei que era o momento de fazer um
novo filme novamente escrito por mim diretamente, sem, claro, tirar o valor dos
argumentos dos outros três, mas quero voltar a colocar minha identidade no
filme, não só como diretor, mas como autor. Acredito que o público irá resgatar
a emoção do primeiro e se surpreender com os rumos da história, como aconteceu
no primeiro, porém agora com mais experiência.
BC: Como é
trocar a Comédia pelo Drama?
GF: Na verdade,
não se trata de uma troca; para mim, foi um processo importante. Eu comecei na
comédia, fazendo stand-up, vídeos de humor etc. É algo de que ainda gosto
muito! Foi a comédia que me ensinou a escrever, a entender a matemática do
timing, os pontos de virada. Mas acaba que a arte é que escolhe os nossos
caminhos. Nunca imaginei, na minha vida, ter uma carreira no cinema nacional,
pela qual me apaixonei desde o primeiro dia. Sou muito grato à comédia e não
pretendo abandoná-la. Porém, se hoje eu escrevo e produzo bem drama, devo isso
à comédia. Então, vejo como um caminho, e não uma troca.
BC: Quais
são os diretores e atores que mais te inspiraram em sua carreira?
GF: Diretor, sem
dúvida, Quentin Tarantino! Sou apaixonado pelos diálogos ricos, dos quais não
conseguimos tirar os olhos da tela! Hoje estudo muito dramaturgia, diálogos e
monólogos por causa disso. Em todos os meus filmes, acabo colocando alguma
técnica especial nos diálogos. Atores, tenho várias referências: Tony Ramos,
Lima Duarte, Fernanda Montenegro etc. Atores e atrizes que eu chamo de
camaleões, que podem atuar em qualquer personagem. Acho importante e admiro
essa capacidade de atores fazerem personagens de drama e comédia com a mesma
facilidade.
BC: Wagner
Kampynas é um grande ator e está presente e todos os seus curtas. Como é
trabalhar com ele?
GF: Sim, ele
está em todos! Wagner é um desses que chamo de camaleões, um profissional
incrível, ao qual sou muito grato, além de ser um grande amigo. Aprendi muito
com ele. Além disso, Wagner foi o responsável por eu estar fazendo cinema hoje.
Ele é um ótimo ator de comédia; foi onde nos conhecemos, fazendo vídeos de
humor. Porém, um dia ele me falou: “Por que você não faz um filme?”. Era algo
que eu nunca tinha pensado em fazer, mas ele me encorajou. Escrevemos juntos o
longa Amanhã você vai embora, quando me lancei na carreira de cineasta. Ele
praticamente me obrigou a dirigir também — algo que eu nunca tinha feito. Esse
longa foi uma verdadeira escola para mim, na qual me coloquei à prova como
autor, roteirista, produtor e diretor. Depois dele, tudo mudou; não consigo me
ver fazendo outra coisa. Hoje, o cinema faz parte de mim. Trabalhar com o
Wagner é enriquecedor; ele tem uma visão riquíssima sobre atuação, seja teatral
ou de cinema. É muito fácil dirigi-lo, além de ser um ator que consegue criar
personagens cativantes.
BC: Uma
mensagem para os fãs da Bauhaus Cultural.
Aos fãs da
Bauhaus Cultural, peço que continuem a valorizar os pequenos produtores e
cineastas independentes do nosso país. O Wagner Moura, em uma de suas
entrevistas, disse muito bem sobre a importância do cinema e dos pequenos
cineastas. Temos um grande potencial cinematográfico no Brasil, mas enfrentamos
dificuldades em produzir; os editais e leis de incentivo são muito importantes,
mas, muitas vezes, esses investimentos não chegam aos pequenos. É preciso dar
chance para que novos cineastas mostrem seu trabalho. E o público é quem dita
essa demanda; vocês, fãs da Bauhaus Cultural, fazem parte disso. São vocês que
acompanham esse blog que irão ser nosso público, nossos críticos e até
patrocinadores. Obrigado por me dar essa oportunidade de mostrar meu trabalho a
todos vocês.



